10 te­mas-cha­ve que mar­ca­rão 2026

CIO View
Europe
Macro

25/09/2025

Que temas de investimento poderão ser relevantes em 2026?
Uma visão geral das 10 principais tendências.

image

Nesta terceira edição das nossas “10 temáticas que marcarão 2026”, privilegiamos aquilo que consideramos mais provável acontecer, em vez de cenários meramente hipotéticos. Abordamos os temas que os investidores terão quase inevitavelmente de enfrentar, ainda que as suas implicações para diferentes classes de ativos possam suscitar debate. A linha entre o cenário base e os riscos menos prováveis tornou-se, contudo, cada vez mais difusa. A maior economia do mundo está a ser governada de forma crescentemente heterodoxa.

Há um ano, parecia improvável que a administração norte-americana tentasse influenciar abertamente a Reserva Federal ou que o Estado adquirisse participações em empresas nacionais. A amplitude e os detalhes das tarifas sobre importações têm surpreendido, chegando a ser punitivos para aliados históricos. Estes desenvolvimentos inesperados estão a moldar a economia global e representam apenas parte dos sobressaltos políticos gerados pelos EUA no último ano.

A política também demonstrou capacidade para gerar impulsos duradouros nos mercados, tanto positivos como negativos. A Argentina aplica, até agora com sucesso, uma terapia económica radical sob a liderança de Javier Milei. A flexibilização da regra alemã do travão da dívida foi bem recebida pelos investidores. E o impulso europeu para uma autonomia estratégica — já não dependente do petróleo russo nem da defesa norte-americana — constitui outro motor relevante.

Cerca de metade das nossas temáticas este ano têm uma marca política, como acontece com dois grandes projetos europeus: o desenvolvimento de infraestruturas analógicas e digitais e o reforço da capacidade de defesa própria.

A política influencia também questões estruturais, como a provisão de pensões em sociedades envelhecidas, e alimenta o debate sobre quanto do benefício da globalização será sacrificado à medida que os governos atuam unilateralmente para obter vantagens económicas. Entre as ameaças ao comércio global surge a questão da hegemonia do dólar. O enfraquecimento da moeda norte-americana este ano levanta dúvidas: será fruto de uma estratégia deliberada do governo ou resultado da decisão dos investidores de abandonar ativos denominados em dólares por receio quanto à economia dos EUA? É possível que ambas as forças estejam em jogo. A falta de alternativas sólidas continua a sustentar o papel dominante do dólar, embora o impulso para encontrar substitutos esteja a crescer. Poderão os ativos digitais oferecer uma alternativa viável?

As moedas digitais utilizam chips semelhantes aos da inteligência artificial e consomem grandes quantidades de eletricidade. A disponibilidade de energia barata volta a ser uma vantagem competitiva, e a forma de a fornecer de modo sustentável é outra das nossas dez temáticas. Também o é a IA: quem serão os seus beneficiários no próximo ano? Onde começa a evidenciar-se a divergência entre expectativas e realidade entre os seus pioneiros?

Embora muitos dos temas tratados tenham alcance global, dedicamos especial atenção aos mercados emergentes da Ásia. A China, com a sua economia de duas velocidades, gera ceticismo, mas também poderá oferecer oportunidades de investimento, como analisamos.

A décima temática centra-se em como os investidores podem integrar diferentes temáticas, regiões e classes de ativos numa estratégia coerente que os ajude a navegar riscos derivados de decisões políticas erráticas, numa perspetiva multiativos.

Concluímos mostrando como eventos improváveis podem afetar os mercados de capitais e, longe de gerar o impacto esperado, provocar movimentos inesperados. Já o fizemos no ano passado, e várias das nossas reflexões mais especulativas revelaram-se acertadas. O nosso objetivo não é tanto prever, mas convidar o leitor a refletir sobre o inesperado. Mapeamos o surpreendentemente amplo espectro do possível. Como gestores de ativos, fazemos isso constantemente. Convidamo-lo a partilhar a nossa visão e desejamos-lhe uma leitura agradável, estimulante e, esperamos, esclarecedora.